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Nome: Sophia

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Eu: Sou borboleta na chuva. Tenho aire no sangue, asas na alma, arte no coração. Meu lugar é o mar, meus sentidos perseguem o indizível. Vivo pelo que Deus quiser.

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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Como não passo mais por aqui, muitas idéias se acumularam e vou fazer um resumo do que poderiam ser vários posts.

- Já está ficando repetitiva esta história de que eu adoro brincar de ser adulta, mas é verdade. Andar sozinha no metrô, fazer compras com meu dinheiro, trabalhar numa empresa de gente grande. Vendendo meu tempo para valorizar o tempo que eu não vendo. Tudo isso ainda sendo por dentro uma menina de tranças que não gosta de passar batom, usa bolsa transpassada e tem gosto de canela na boca. Com os dentes puros e umas linhas na pele das mãos que um dia vão fazer com que elas se pareçam as da minha vó. Ainda sinto o peito arder quando leio Vinicius e a espinha virar água quando ouço boa música. Quanto mais eu cresço por fora, mais eu borboletizo por dentro.

- Estive pensando sobre a história de Buda, aquele lance todo que ele refletiu sobre o sofrimento, depois atingiu o nirvana e ficou tudo bem. Eu não estou nem perto de Buda para entender o eterno, mas cheguei a uma conclusão. Se tudo é transitório e tudo a que a gente se apega um dia termina e faz a gente sofrer, eu precisava descobrir alguma coisa eterna para focar minha felicidade. E as pessoas não são eternas, nem a juventude, nem a saúde e os sentidos que eu gosto tanto. A única coisa eterna é o presente. Sei que enquanto eu existir, vai haver um presente para mim, então é nisso que eu vou me focar. Sendo feliz por todos os milhões de motivos que eu sou, mas tendo a base no presente, porque isso ninguém pode tirar de mim.

- Mais livros do Jostein Gaarder que me fazem pensar deliciosamente. Este trecho é de O Pássaro Raro:
“No que diz respeito à racionalidade, a realidade não leva nenhuma vantagem sobre qualquer conto de fadas. Do ponto de vista da lógica, todas as ordens são igualmente possíveis no mundo. [Mas o ser humano é tão adaptável que] o mundo vira um hábito. Se começar a acontecer um milagre após o outro, ao final só poderemos estar indiferentes. Até que chega o dia em que não vemos mais que existe um mundo.”

Postado por Sophia, em 3:30 PM
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Segunda-feira, Setembro 08, 2008

É muito bom ter tempo para ler no caminho do trabalho. É muito bom ter gosto por filosofia e um namorado viciado no assunto. É muito bom relembrar a sensação de ler idéias que parecem que saíram da sua cabeça, e com isso se sentir menos louco. Sobre Kierkegaard:

"O indivíduo vê o mundo que quer ver, o que depende dos valores que escolheu previamente, aqueles segundo os quais ele vive."

"Deveríamos estar cientes da completa liberdade que temos a cada momento. Podemos escolher qualquer coisa, podemos transformar completamente nossas vidas. A cada momento somos confrontados com a suprema liberdade"

Postado por Sophia, em 9:31 PM
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Domingo, Agosto 17, 2008

Viver sozinha é uma experiência impressionante. Claro que não seria bom se eu não tivesse companhia pra dormir e para os momentos de lazer, mas além disso têm pequenas coisas no meu cotidiano que eu tenho adorado em especial, que fazem com que eu seja cada vez mais eu mesma, por estar sozinha.
Tipo almoçar sozinha (as pessoas do meu trabalho não comem, não sei o que acontece). Eu adoro escolher todo dia o lugar onde vou comer dentre um monte de opções, escolher meu prato e sentar numa boa, olhar as pessoas nas outras mesas, observar as emoções de cada um e fazer meus "estudos antropológicos sobre os elfos de açúcar". Parece que estando sozinha eu consigo observar tudo com uma profundidade imensa.
Estar na Paulista todo dia é meio surreal também, parece que estou dentro do futuro que eu imaginava pra mim na adolescência: vou ser jornalista, trabalhar na Paulista e morar perto da Av. Portugal em Santo André. Gosto muito da cara da avenida, dos executivos da hora do almoço e dos adolescentes de noite, daquela essência de concreto pulsante que só tem lá.
Adoro andar na rua de manhã, adivinhar os pensamentos das pessoas no metrô, ouvir mais música, ler mais. Me perder nos meus pensamentos um milhão de vezes por dia.
Claro que é bem duro o golpe de saudade que me dá de repente, em plena duas horas da tarde, e uma vontade de chorar que eu tenho que espantar com um golpe dos meus tacones. Tudo tem sido um aprendizado imenso. Novas sensações, novas descobertas, novas expectativas, novos horizontes.
É por isso que eu gosto tanto de viver.

Postado por Sophia, em 5:40 PM
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Quinta-feira, Julho 31, 2008


A dama e a rainha de copas do meu baralho foram embora. Levaram uma parte do meu coração para deixar o Tejo mais poético.
Agora me resta dar às mãos para o meu par coringa e encarar os jogos novos que vem por aí.

Postado por Sophia, em 5:51 PM
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Terça-feira, Julho 15, 2008

Estou numa fase da minha vida em que penso quase 100% do tempo sobre passado, presente e futuro. O passado que me trouxe até aqui, o presente uma ansiedade sem fim e o futuro um mistério. Parece até aquele círculo vicioso de "desejar/ obter/ entediar-se/ escolher o próximo objeto de desejo" que Schopenhauer falava.
Mas eu tento me concentrar nas coisas atemporais, que são as que importam. Como quando acabava a energia e eu era pequena, gostava de ir para debaixo da mesa olhar as coisas, no escuro tudo parecia mais real do que com luz. Ou sentir as mãos da minha irmã ainda bebê pegando nos meus cabelos. A sensação que eu vou ter quando cuidar sozinha da minha casa. O primeiro beijo dele. Estrear o vestido e a coreografia. Dar à luz. Terminar um origami que eu fiz pensando coisas boas. Sentar entre os meus avós. Escrever e conseguir explicar exatamente o que eu estou sentindo. Cantar com a minha borboleta interna batendo as asas. O pôr-do-sol no mar. Ler um verso que espeta meu coração. Dar risada com minhas amigas. Escolher meu lado do caminho.
São coisas que não me importa se já aconteceram, se repetem ou ainda vão acontecer, não importa qual minha idade ou meu desejo quando acontecem. Elas me preparam para a eternidade.

Postado por Sophia, em 10:55 PM
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Segunda-feira, Junho 23, 2008


No meu mundo os rios são de cor laranja e as árvores feitas de espelhos. Não é como este mundo de coragem, sombras e papel.
Lá eu não tenho terra, tenho espírito. Tenho uma coroa de flores e um travessão de intenções, tenho nas mãos uma linha dourada como as pontas dos meus cabelos. Lá as possibilidades são o meu trilho e meus sapatos preferidos me levam até a borda, onde há a espuma do som que eu ouvia quando me tornei completa. Então minhas extremidades brancas de poeta me anunciam: eu construí um castelo de frustrações só para derreter cada pedra.
Em todos os mundos eu tenho som nas pontas dos dedos e nos joelhos, e ainda assim escolhi um anjo brilhante que deve cantar para mim e me salvar quando me perco na planície de gelo. Nossas dobras líquidas me fazem enxergar o presente: azul.

Postado por Sophia, em 2:14 PM
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Segunda-feira, Junho 09, 2008


Quanto mais límpidos os nossos olhos, mais complexa a vida nos parece.
Antes eu me perdia na rotina corrida, nas prisões laborais e nos computadores, e esquecia de olhar para fora. Agora eu me perco na incerteza, e nas certezas assustadoras, e nos detalhes inúteis que o tempo que sobra me deixa notar. E ainda não olho para fora.
Quando eu limpo os olhos, a noção de existência é uma responsabilidade tão pesada para mim, que se não arranjasse algumas direções não ia agüentar carregá-la. E minhas direções são os sentidos (que têm como conseqüência a atração por beleza e prazer), a vontade de saber (saber tudo! tudo!) e a fantasia, que é minha essência. Essas direções definem o que eu sou.
E com um universo de possibilidades, nada é melhor do que definição. Definir que eu adoro iogurte com sucrilhos. Definir que minha nota preferida é o sol. Definir que eu não gosto de maquiagem, mas sei me maquiar bem. Definir meu estilo de roupa preferido, meu movimento literário preferido, a maneira que eu vou decorar minha casa quando morar sozinha e como vou querer educar meu filho. Definição me dá segurança.
As futilidades da vida têm feito eu perder um pouco a lucidez lúdica. As plantas no meu mundo paralelo estão precisando de uma podada, e a água da cachoeira deve andar bem gelada. Aposto que algum bicho já fez um ninho bem onde eu gostava de sentar na minha árvore preferida.
E também parece que eu ando perdendo um pouco o jeito de combinar minhas roupas e pulseiras preferidas com minhas melissas de boneca, porque fico preocupada demais com o que engordei.
Mas prometo que vou me esforçar. Vou me concentrar na sensação de fechar os olhos e ouvir as músicas especiais, vou me concentrar nos sabores, nas visões de paisagem, na temperatura da pele dele. Vou sonhar com o que leio e vou tentar usar o enorme arquivo de coisas que já aprendi. Sinestesia, fantasia, sabedoria. E aí vou levando a vida como ela merece ser levada, até que uma próxima fase venha me desafiar.

Postado por Sophia, em 12:25 PM
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Quinta-feira, Maio 29, 2008

Maya

Eu acredito que existem certos livros predestinados para cada um ler. Acho difícil que exista um "livro da minha vida" dentre tantos, mas tem certos livros que vêm no momento exato em que eu mais preciso deles.
É óbvio que um livro do Jostein Gaarder que fala sobre uma bailarina de flamenco me interessa faz tempo. Mas eu só consegui chegar nele agora, bem quando eu tenho tido uns assustadores sentimentos novos, que no livro reconheci como uma síndrome do espírito preso na carne. "Somos os diamantes do espírito no relógio de areia", diz um personagem no livro.
É fantástica a sensação de ler num livro a descrição de uma coisa que a gente sente e achava que era só a gente que sentia:
"O Curinga se move entre os elfos de açúcar em forma de primata. Baixa os olhos e vê duas mãos desconhecidas, acaricia com uma das mãos um rosto que não conhece, toca sua testa e sabe que ali dentro age como um fantasma o enigma do eu, o plasma da alma, a gelatina do conhecimento. Mais perto do núcleo das coisas não poderá chegar. Tem a sensação de ser um cérebro transplantado, logo já não é ele."
São as reflexões filosóficas que eu mais precisava para me acalmar. E não estou nem na metade do livro.

Postado por Sophia, em 4:14 PM
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Quarta-feira, Abril 30, 2008


Ficar em casa tem sido uma experiência que me atinge muito. É a primeira vez na vida, desde os 3 anos de idade, que eu não tenho nada pra fazer, nenhum compromisso, nem estudar e nem trabalhar. E isso deveria ser ótimo, tendo em vista o estresse em que eu estava metida, a minha segurança financeira por enquanto e a certeza íntima de que isso não vai durar muito tempo.
Mas mexe muito comigo.
Talvez porque tenha a ver com todo o meu conceito de vida, minhas crenças de que "ser feliz", "aprender", "produzir" e "fazer os outros felizes" é o mais importante. Não acho que passar o dia dentro de casa seja mais inútil do que tratar de assuntos empresariais e papéis que morrerão amanhã, mas me incomoda, incomoda a minha essência e cria pseudo-doenças dentro de mim, que me dão medo e tiram meu foco das coisas de coringa.
Eu sou preguiçosa como a maioria das pessoas, claro, adoro assistir filme deitada no sofá, sou capaz de dormir 13 horas seguidas todos os dias. Mas eu também sou do tipo que sente uma felicidade simples de mudar os móveis de lugar, de andar na rua de manhã, de carregar coisas escada acima para ajudar alguém.
Com toda essa calma que todo mundo me identifica, eu tenho uma natureza muito ativa, que precisa de ação. E preciso arranjar essa ação para conseguir equilibrar minha cabeça, antes que eu fique louca de tanto pensar coisas que não precisam ser pensadas.
Mais do que nunca, preciso manter os olhos bem abertos e saber olhar em volta. Reencontrar meu piano, meu quarto, meus livros, meu raciocínio filosófico, renovar minha fé. E desenrolar o nó da garganta. Me preparar para uma nova estrada, que também irá além do que se vê.
Este casulo tem sido espinhento. Talvez as próximas asas sejam feitas de pétalas.

Postado por Sophia, em 2:27 PM
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Sexta-feira, Abril 11, 2008


Eu me importo com aniversários, o meu e o dos outros.
Acho um ótimo pretexto para comemorar, juntar as pessoas que mais gostamos e sentir esse "gostar" reafirmado.
Ontem me senti muito amada, com a companhia da minha mãe, as flores do namorado, o parabéns a você tocado por meu pai no saxofone, ouvir do meu vô um "eu te amo por toda a eternidade", ter sido lembrada por cada amiga. Muito bom poder ter tudo isso nessa fase que estou, porque assim me sinto mais segura.
Sabe quando você volta cansado de uma festa, e sente que se divertiu muito e que delícia que vai poder chegar na sua casa e dormir até tarde? É assim que eu me sinto neste ponto do caminho.
E o fim de semana será de mais comemorações, porque a data merece.

Postado por Sophia, em 12:57 PM
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Quarta-feira, Abril 02, 2008

Saí do lugar onde trabalhei nos últimos três anos. E por isso estou com um monte de sentimentos conflitantes, a certeza que fiz a coisa certa junto com o susto da rapidez com que tudo aconteceu, a confiança de que há algo melhor preparado para mim junto com o vazio da incerteza, o alívio de deixar pressões para traz e ter as primeiras férias em anos junto com o receio de gastar qualquer um real pensando quando vai acabar o que está na conta.
Mas o que importa é que agora tenho um celular laranja, posso olhar o sol às 10 horas da manhã, vou colocar minha leitura em dia e fiz igualzinho minha mãe me ensinou: não deixei ninguém me menosprezar.
Troquei a dor de garganta por um aperto no estômago. Mas sei que a minha alma está muito bem preparada para as novas aventuras.

Postado por Sophia, em 10:18 AM
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Sábado, Março 29, 2008

Minha resistência é uma pele de elefante, presa por um alfinete.
Então uso o perfume falso e falsamente fico pedra, enquanto por dentro sou líquido.
Estou viciada em possibilidades.
Sinto na mão o peso da chave que desacorrentará meus tornozelos. Resta saber se eles estão preparados para sapatear em línguas estrangeiras.
E o alfinete espeta a garganta, e transforma minha raiva em pus. Ou arranco, ou fico muda.
A liberdade é uma doce condenação. Me entregar a ela será como pular num lago estreito de uma planície congelada.

Postado por Sophia, em 10:58 AM
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Quinta-feira, Março 20, 2008

Acho que todo mundo quando tem uns quatorze anos passa por aquela fase de depressão, de querer mudar o mundo e não saber como, de não se conformar com tanta gente sofrendo e tantas coisas erradas no mundo.
Eu passei também. Chorava de pensar nessas coisas, questionei a existência de Deus e demorei para me acalmar. Quando me acalmei, decidi que não adiantava nada ficar reclamando, que tinha mais era que ser feliz e trabalhar para mudar as coisas erradas do mundo. Aí eu decidi ser jornalista.
O quarto poder, a denúncia social, o alcance imenso na sociedade, enfim, achei que ali eu poderia me esforçar e realmente ia fazer diferença para o mundo. E descobri que não existe isso, que a mídia é comprada, que o brasileiro é manipulado feito criança e não se esforça pra mudar e que não existe nada de jornalístico no que se produz hoje.
Aí eu arranjei um emprego em uma empresa, um trabalho muito mais confortável que o de repórter. E aqui estou, pagando meus impostos, usando meu conhecimento para alguma coisa honesta, dentro das estatísticas de cidadãos produtivos do país.
Mas será que é isso que eu quero? Me submeter a um emprego capitalista, que não muda nada para ninguém, levar uma vida sem graça de classe média e descontar minhas frustrações consumindo e falando mal do chefe nos fins de semana? Acho que não. Ainda tem um foguinho ardendo aqui, pensando nos erros do governo americano, nas pessoas morrendo na África, na natureza sendo destruída. Uma hora o pavio do meu inconsciente vai ser aceso.

Postado por Sophia, em 4:24 PM
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Terça-feira, Março 11, 2008

Recebi esta matéria da Vida Simples por e-mail e fiquei encantada. Me deu vontade de assinar a revista (que eu já adoro) e de pesquisar sobre Krishnamurti.
Seguem os trechos que mais me impressionaram:

"O que podemos fazer para voltarmos a ser livres como uma criança? Sua resposta para essa pergunta é muito estranha: olhar, observar. Prestar atenção verdadeiramente, realmente, em tudo o que está dentro e fora de nós. Ver as correntes que nos prendem, observar os grilhões a que estamos atados, as mentiras, os sonhos, as fantasias. Um encontro cara a cara com a verdade, cada dia mais profundo. E quando aprendermos a olhar de maneira tão sincera e real, disse Krishnamurti, tudo se esclarecerá. As correntes começarão a se desfazer, a visão estará mais límpida e desimpedida. Isso pode ser doloroso."

“Sua essência é massacrada por um milhão de vozes: de sua personalidade, da sociedade, de sua própria consciência fragmentada. No entanto, o que é realmente verdadeiro não é a ideologia, mas aquilo que você é.”

“Nesse sentido, ele nos propõe sermos como uma criança, uma borboleta que se transformou radicalmente ao abandonar o estágio de larva e lagarta. Essa criança pode viver tranqüilamente no mundo, e não vai querer apenas queimar bandeiras como um leão revoltado. Está no mundo, mas não pertence mais a ele, como disse Cristo em seus Evangelhos. É criativa, leve, solta. E feliz. Nada mais a sufoca.”

“Ser livre, para ele, é seguir a vibração pulsante do nosso coração. Como um surfista atrás daquela onda perfeita, um aplicado músico de jazz que busca o swing, devemos estar atentos ao que nos torna vibrantes, brilhantes e vivos. Cada um tem seu feixe de energias, cada um vibra e ressoa à sua maneira, seja com um pouco de erva e água clara, seja com palavras e pensamentos, seja com uma tarde de verão e um sorvete ou com um ensaio de órgão numa igreja vazia. Não perder de vista o que nos deixa vivos é uma bela placa rumo à liberdade de ser. Porque, quando nos sentimos energéticos e brilhantes por dentro, manifestamos o que é mais real em nós.”

“A liberdade era a condenação do ser humano. Sua múltipla possibilidade de escolhas o colocava numa situação sem escapatória, sem saída. Para Sartre, o homem era condenado a escolher, sempre e sempre, pois ele é a própria essência da liberdade. Ou seja, o ser humano é ser humano por ser, em si mesmo, um projeto de liberdade.”

Postado por Sophia, em 12:36 PM
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Quinta-feira, Março 06, 2008


Estou com tendinite nos dois tornozelos. Falando assim parece uma coisa simples, mas eu não acho nada simples.
Pra começar dói pra caramba, e por isso estou tomando um remédio bem forte. Parece que eu tenho uma bola de sinuca em cima do ossinho de cada tornozelo, de tão inchado, e estou proibida de correr, subir escada, fazer exercícios, dançar (só trabalhar que eu posso normalmente). E isso já dura duas semanas.
Agora o que me irrita é: por que bem agora? Bem agora que tinha aparecido alunas para eu dar aula de dança, bem agora que eu tinha me inscrito numa corrida no próximo domingo, bem agora que estava empolgada o suficiente com a academia pra levantar todo dia às 6 horas e me exercitar antes de ir trabalhar.
Talvez seja exatamente por isso, né? Para eu parar um pouco. Mas eu penso, pôxa, o mais difícil que é a energia pra tudo isso eu tinha, e vai me aparecer uma coisa tão esdrúxula quanto inflamação no tendão dos dois pés? Deve ser porque quando a gente decide ter um estilo de vida desses, o corpo todo tem que aceitar. E os meus tornozelos não estavam gostando nem um pouco do trabalho escravo, então se rebelaram. E me impediram de fazer o que mais gosto.
Agora só me resta me curvar a eles, colocar bastante gelo, ficar engordando sentada e aguardar a boa vontade para que eles voltem ao trabalho. Mas por enquanto não estão dando nenhum sinal de que pretendem fazer isso.

Postado por Sophia, em 9:10 AM
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